sábado, 18 de outubro de 2008

Saúde em primeiro Lugar!!!


Milk-shake liga DNA à obesidade



Com a enorme proporção de estudantes fazendo dieta na Universidade do Oregon (EUA), não foi fácil para a psicóloga americana Cara Bohon recrutar 76 voluntárias para seu experimento, que consistia em tomar uma taça inteira de milk-shake dentro de uma máquina de ressonância magnética. O resultado do trabalho, porém, valeu o esforço. Ela acaba de comprovar a ligação entre uma variação específica no DNA e a tendência de algumas pessoas a comer mais.

Os pesquisadores descobriram que uma variação genética específica pode reduzir a capacidade do cérebro de se ativar com a dopamina porque diminui nos neurônios o número de receptores para essa substância. Eles são como um interruptor molecular, que "liga" a célula quando a dopamina encosta neles. As portadoras do gene variante (batizado com a sigla Taq1A1), mostraram afinal ter mais tendência a engordar do que as outras pessoas.

A lógica por trás do estudo é que as pessoas que obtêm menos prazer com uma determinada quantidade de comida precisam de refeições maiores para atingir o mesmo nível de saciedade dos outros. Dito assim pode parecer óbvio, mas os próprios cientistas reconhecem que o pensamento era outro antes. "Definitivamente, esperávamos em um momento encontrar "maior" ativação de recompensa entre obesos; a idéia seria de que aqueles que têm mais prazer com comida comem mais", diz Bohon.
Mesmo após os cientistas descobrirem que o raciocínio correto era o inverso, porém, foi necessário fazer o experimento com o mapeamento em ressonância magnética para provar a idéia. "Saber apenas que esse alelo [gene] em particular está ligado à obesidade não explica por que isso acontece", afirma a cientista. Segundo ela, porém, a genética explica apenas parte da tendência à obesidade, e o mecanismo descrito na "Science" pode ter aplicação restrita.
"Achamos que esse efeito pode ser específico para comidas saborosas, que com freqüência têm alto teor de gordura e açúcar", afirma Bohon. Ela diz que não há uma maneira direta de a descoberta ser aproveitada em tratamentos farmacológicos, já que drogas dopaminérgicas em geral são viciantes. "Esperamos desenvolver intervenções comportamentais", diz.

Entrevista feita pela Folha Online.

Se quiser saber sobre a repórtagem inteira, acesse:

Nenhum comentário: